A inteligência artificial vem ocupando, cada vez mais, um espaço importante no universo educacional, e isso inclui a correção de redações. Em plataformas, cursinhos e até no dia a dia de muitos estudantes, o uso de ferramentas como ChatGPT e Gemini para revisar textos se tornou uma prática comum. Mas até que ponto essa tecnologia realmente ajuda? E quais cuidados são necessários para que ela não prejudique o aprendizado? Na entrevista concedida à revista QueroBolsa, essa reflexão ganha destaque ao mostrar que, embora a IA possa ser útil em situações pontuais, a correção humana ainda é insubstituível.
Hoje, a incorporação da IA na correção de redações acontece, principalmente, de três formas: por meio de plataformas educacionais que atribuem notas automáticas; por professores que, em tese, utilizam ferramentas para agilizar a identificação de erros superficiais; e pelos próprios alunos, que recorrem às inteligências artificiais em busca de nota, de sugestões ou de reescrita. No entanto, esse uso mais frequente por parte dos estudantes também pode gerar uma falsa sensação de segurança, já que nem sempre a máquina avalia o texto com a profundidade necessária.
Entre as principais vantagens do uso da IA, destacam-se a rapidez na identificação de erros mais evidentes, a disponibilidade constante e o auxílio em questões pontuais, como repetição de palavras ou busca de sinônimos. Ainda assim, os riscos são muitos e merecem atenção: a IA pode elogiar excessivamente um texto, apontar falhas inexistentes, deixar de perceber problemas graves e até favorecer uma padronização nociva, que compromete a autoria e a originalidade do estudante. Além disso, quando o aluno passa a confiar cegamente na máquina, pode acabar deixando de refletir sobre os próprios erros e sobre o próprio processo de escrita.
Por isso, a orientação principal é clara: a IA não deve substituir o professor nem ser usada como última palavra na avaliação da redação. Ela pode, no máximo, funcionar como um “segundo leitor”, desde que o estudante compare suas observações com a correção humana e dê mais valor ao parecer do educador. Também é fundamental desconfiar de elogios fáceis e evitar pedir que a IA reescreva o texto, pois isso compromete a autoria e enfraquece a aprendizagem. O ideal é que o aluno use a tecnologia para esclarecer dúvidas pontuais, mas sempre mantenha o exercício da leitura crítica e da revisão própria.
Outro ponto importante é a confiabilidade dessas ferramentas. A própria entrevista destaca que não é possível ter segurança absoluta na correção feita por IA. Para testá-la, recomenda-se comparar seus retornos com correções humanas, observar se a ferramenta justifica cada apontamento e até inserir propositalmente erros em um texto para verificar se ela os identifica. Em outras palavras, a IA pode até auxiliar, mas não deve ser tratada como um corretor definitivo.
No contexto escolar, essa discussão é especialmente relevante. Em tempos de tantas ferramentas digitais, o desafio não é rejeitar a tecnologia, mas aprender a utilizá-la com responsabilidade, com criticidade e com consciência. A redação continua sendo um espaço de autoria, de reflexão e de construção de pensamento, e é justamente por isso que o olhar atento do professor segue sendo essencial.
Saulo Luís Genghini
Professor de Português do 9° ano e Ensino Médio no Colégio IEMP



